UE é aliada de EUA mas ameaças à Gronelândia "não ajudam"
- 08/01/2026
"A União Europeia sempre foi um aliado forte dos Estados Unidos, mas estas declarações e comunicados [do Presidente norte-americano, Donald Trump] não ajudam a obter estabilidade", declarou Kaja Kallas numa conferência de imprensa na Nova Capital Administrativa do Egito, ao lado do ministro dos Negócios Estrangeiros egípcio, Badr Abdelaty.
A Alta-Representante da UE para a Política Externa e de Segurança avançou que o bloco discutiu nos últimos dias se a ameaça dos EU de anexar a Gronelândia é real e, em caso afirmativo, qual deve ser a resposta dos 27 Estados-membros.
"O que ouvimos sobre a Gronelândia é extremamente preocupante", admitiu Kallas sobre as mensagens que Bruxelas está a receber do Governo Trump a propósito da ilha ártica.
"É claro que as mensagens que estamos a receber sobre a Gronelândia são extremamente preocupantes. E também temos mantido conversações entre os europeus sobre se se trata de uma ameaça real e, em caso afirmativo, qual deve ser a nossa resposta", afirmou.
Observou também que como a Dinamarca "tem sido um bom aliado dos Estados Unidos", "todas estas declarações" de Trump "não contribuem propriamente para a estabilidade global".
"O Direito Internacional é claro e é a única coisa que protege os países pequenos, pelo que desrespeitá-lo nos colocará em perigo. Já abordámos esta questão, que aderimos ao Direito Internacional a todos os níveis", sublinhou Kallas.
Lembrou ainda que o Direito Internacional prevê dois casos para o uso da força: o primeiro, em "legítima defesa", e o segundo, em cumprimento de uma resolução do Conselho de Segurança da ONU.
"Portanto, quem usa a força tem de justificá-lo", concluiu, reiterando a defesa da UE da "integridade territorial e soberania dos Estados".
A Casa Branca insistiu na quarta-feira que, embora a diplomacia seja a primeira opção de Trump para assumir o controlo do território autónomo dinamarquês da Gronelândia, não exclui outros cenários, como uma ação militar, e anunciou uma reunião na próxima semana com representantes dinamarqueses para discutir o assunto.
O Governo da Dinamarca classificou a reunião da próxima semana com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, para discutir a Gronelândia, como uma boa notícia e um passo em frente na via do diálogo.
Na terça-feira, os líderes de França, Alemanha, Itália, Polónia, Espanha, Reino Unido e Dinamarca sublinharam, numa declaração conjunta, que o futuro da Gronelândia e da Dinamarca só pode ser determinado pelos seus próprios cidadãos e que a segurança do Ártico deve ser coletivamente garantida por todos os aliados da NATO, incluindo os EUA.
Indicaram que a região do Ártico é uma prioridade fundamental para a Aliança Atlântica e que "os aliados europeus estão a intensificar esforços", aumentando a presença, atividades e investimentos para "manter o Ártico seguro e dissuadir os adversários".
Este apoio expresso de vários países europeus à Dinamarca e à Gronelândia foi na quarta-feira reiterado pelos ministros dos Negócios Estrangeiros de França, Alemanha e Polónia.
A Gronelândia tem uma população de cerca de 57.000 habitantes num território de 2,1 milhões de quilómetros quadrados (80% do qual permanentemente coberto de gelo) e depende das receitas da pesca e da ajuda económica anual da Dinamarca, que cobre cerca de metade do seu orçamento.
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