Ser Presidente interventivo "é falar menos" e "atuar com mais eficácia"
- 10/01/2026
O candidato apoiado pelo PSD e CDS-PP falava num encontro com jovens no âmbito da sua campanha presidencial no Palácio Vila Flor, em Guimarães (Braga).
Já no final da sessão, que durou cerca de hora e meia e foi conduzida pelo eurodeputado Sebastião Bugalho, Mendes reiterou que exigiria a um eventual Governo do Chega um compromisso escrito de cumprimento da Constituição porque tal significa "defender a democracia".
"O Presidente da República não é um notário. Eu não vou para a Presidência da República para dizer banalidades ou para ser um Presidente inativo", assegurou, considerando que é correto dizer antes das eleições que "não tem uma interpretação passiva" dos poderes presidenciais.
Depois, o candidato explicou o que considera ser um Presidente mais interventivo, numa aparente demarcação do atual chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa.
"Um Presidente da República interventivo não é falar mais vezes do que tem acontecido. Não, provavelmente é falar menos vezes, mas é atuar com maior consequência e com maior eficácia", afirmou.
O candidato apoiado por PSD e CDS-PP lamentou que a sua exigência de garantias constitucionais a um eventual Governo do Chega não tenha sido saudada pelos partidos mais à esquerda.
"Isto nunca se fez em Portugal, mas também nunca em Portugal aconteceu um partido estar a fazer permanentemente propostas de natureza inconstitucional", salientou.
No encontro, Luís Marques Mendes admitiu que alguns dos seus adversários são melhores "a falar dos jovens no TikTok ou a fazer números sobre os jovens no TikTok".
"Mas verdadeiramente os problemas dos jovens não se vão resolver no TikTok, vão-se resolver com experiência, a partir da Presidência da República, e com visão e com sentido estratégico", afirmou, prometendo, se for eleito, "colocar os jovens "no centro da agenda política e da agenda mediática nacional".
Marques Mendes respondeu a perguntas sobre interior, habitação ou emigração dos jovens, aproveitando para reafirmar algumas das propostas que foi apresentando ao longo da sua campanha.
"Há alguns candidatos que se ficam aqui por generalidades. Eu gosto de ter uma visão estratégica dos problemas", referiu.
Um novo acordo social tripartido mais ambicioso no crescimento económico e dos salários, a diferenciação fiscal positiva para o investimento no interior ou a sugestão aos partidos de "uma reflexão" sobre as leis eleitorais -- defendendo a criação de um círculo de compensação para evitar ou uma maior representação do interior -- foram algumas das ideias que deixou.
O candidato aproveitou ainda para saudar o Governo pela aprovação de um pacote de medidas que permitirá descer os impostos sobre o arrendamento e a construção da habitação.
"Ontem aconteceu uma coisa algo histórica na Assembleia da República. Ao mesmo tempo que aconteceu do ponto de vista político outra coisa, muito importante: é que esta lei foi aprovada num consenso muito alargado", disse, uma vez que os diplomas passaram com a abstenção do Chega nuns casos e do PS em outros.
Questionado que conselhos daria "a um jovem Marques Mendes", se pudesse, o candidato afirmou que lhe diria para seguir exatamente o mesmo percurso pessoal e político.
"Não me arrependo de nada do que fiz e fui sempre muito feliz. Eu tenho uma pequena vantagem: na política, uma pessoa ganha umas vezes, perde outras. Mas há uma coisa que sempre tive: estou sempre de bem com a vida, não estou propriamente assim zangado com ninguém", afirmou.
No início da sessão, o presidente da Câmara de Guimarães, Ricardo Araújo, elogiou o candidato dizendo ter a certeza de que será o próximo Presidente da República, mas não pôde ficar para a sessão devido à final da Taça da Liga, que é hoje disputada entre Vitória e Braga.
"Tenho de me ausentar por um bom motivo: tenho uma taça para ir buscar a Leiria", justificou.
"Fica claro que esta é uma candidatura independente, até nos clubes", respondeu Sebastião Bugalho.
[Notícia atualizada às 19h55]
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