Portugal regista excesso de mortalidade desde o início de dezembro

  • 08/01/2026

Num balanço divulgado hoje à agência Lusa, a DGS e o Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (Insa) referem que o excesso de mortalidade registado é um padrão compatível com a fase epidémica da gripe sazonal, com maior incidência nos grupos etários mais avançados, a partir dos 65 anos, em particular na população com 85 e mais anos, que apresenta maior vulnerabilidade aos efeitos combinados das infeções respiratórias e das temperaturas extremas.

 

"Observa-se igualmente um ligeiro aumento das mortes por doenças cardiovasculares e metabólicas, fenómeno frequentemente associado à exposição prolongada ao frio, sobretudo em populações mais idosas e com doença crónica prévia", refere o balanço.

A DGS e o Insa sublinham que "estes padrões são consistentes com o que historicamente se observa durante períodos de circulação intensa de vírus respiratórios e condições climáticas adversas, não havendo, até ao momento, indícios de fatores extraordinários ou inesperados".

Os dados da DGS e do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (Insa) indicam "um aumento proporcional da mortalidade por doenças do aparelho respiratório, que passou de 9,7% no início da época gripal (na semana de 29 de setembro a 5 de outubro de 2025) para 17% no período mais recente (semana de 22 a 28 de dezembro).

Do ponto de vista geográfico, o excesso de mortalidade foi identificado em todo o território continental, embora as regiões Norte, Centro e Algarve tenham sido aquelas que foram primeiramente afetadas.

Um padrão temporal e regional semelhante foi observado no número de consultas por síndrome gripal em Portugal, o que sugere que a disseminação da epidemia de gripe tenha ocorrido, durante este inverno, de norte para sul.

"Ainda assim, verifica-se um excesso proporcional ligeiramente superior nas regiões do Alentejo e do Algarve, diferenças que refletem a interação de diferentes fatores como maior hesitação vacinal e fatores demográficos e de privação socioeconómica estruturais próprios destas regiões", salientam.

A DGS e o Insa lembram que cerca de uma a duas semanas antes do início deste período de excesso de mortalidade foi identificado um aumento da atividade gripal que atingiu um nível epidémico no final de novembro.

Adicionalmente, a circulação de um subtipo de gripe H3N1 está, geralmente, associada a um maior impacto na mortalidade.

"Em paralelo, Portugal regista um período prolongado de temperaturas baixas, com impacto conhecido na descompensação de doenças crónicas, em particular respiratórias e cardiovasculares", adianta ainda a DGS.

A DGS reforçou desde o início da atividade epidémica de gripe a comunicação à população incentivando a vacinação dos grupos de risco, e a adoção de comportamentos que diminuam o risco de gripe (etiqueta respiratória, e higiene das mãos).

Leia Também: Portugal registou 1.265 casos de gripe na semana do Natal

FONTE: https://www.noticiasaominuto.com/pais/2915810/portugal-regista-excesso-de-mortalidade-desde-o-inicio-de-dezembro#utm_source=rss-ultima-hora&utm_medium=rss&utm_campaign=rssfeed


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