ONU pede investigação "independente" a mortes nos protestos do Irão
- 09/01/2026
"Estou profundamente perturbado pelos relatos de violência durante os protestos em todo o Irão nos últimos 13 dias, incluindo mortes e destruição de propriedade", disse, em comunicado, apelando ao respeito pelo direito à reunião pacífica, "consagrado no Direito Internacional".
Volker Türk defendeu que "deve ser conduzida uma investigação rápida, independente e transparente" e que "os responsáveis pelas violações devem ser responsabilizados de acordo com as normas e padrões internacionais".
De acordo com organizações não-governamentais (ONG), entre as quais a Iran Human Rights, pelo menos 45 manifestantes, incluindo oito menores, foram mortos durante as manifestações.
"A repressão está a espalhar-se e a tornar-se mais violenta a cada dia", realçou o diretor da ONG, Mahmood Amiry-Moghaddam, acrescentando que centenas de pessoas também ficaram feridas e mais de 2.000 foram detidas.
Os meios de comunicação social e as autoridades iranianas, por sua vez, reportaram pelo menos 21 mortes desde o início dos protestos, incluindo membros das forças de segurança.
As ONG relataram o uso de gás lacrimogéneo em vários locais para reprimir as manifestações, bem como de munições reais, e a Amnistia Internacional denunciou que "as forças de segurança iranianas feriram e mataram" manifestantes e civis.
O alto comissário da ONU manifestou também preocupação com o bloqueio da internet no país, considerado que "tais ações prejudicam a liberdade de expressão e o acesso à informação", além de "afetarem o trabalho daqueles que documentam violações dos direitos humanos, bem como o acesso a serviços essenciais e de emergência".
Os protestos no Irão começaram no dia 28 de dezembro, inicialmente contra o custo de vida num país sujeito a sanções económicas, mas evoluíram, entretanto, para uma contestação ao regime, transformando-se no maior desafio ao Governo dos últimos anos.
Na quinta-feira, uma grande multidão de manifestantes concentrou-se em Teerão, de acordo com vídeos publicados nas redes sociais e autenticados pela agência de notícias francesa AFP, ao que se seguiu um corte nacional da internet, considerado como uma forma de censura à divulgação das manifestações.
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