Líbano anuncia fim de desarmamento do Hezbollah no sul, Israel duvida
- 08/01/2026
O Líbano encontra-se sob intensa pressão dos Estados Unidos para desarmar o Hezbollah, saído, em novembro de 2024, enfraquecido de uma guerra com Israel, que continua a tomar o movimento xiita libanês como alvo em ataques aéreos regulares, acusando-o de estar a rearmar-se.
Em comunicado, o Exército libanês afirmou ter alcançado "os objetivos da primeira fase" do plano, que consistiam em desarmar o Hezbollah entre a fronteira com Israel e o rio Litani, cerca de 30 quilómetros mais a norte.
Conforme estipulado no acordo de cessar-fogo de novembro de 2024, deverá em seguida cumprir gradualmente este plano de desarmamento no resto do território, a começar por toda a região sul.
No entanto, o Hezbollah anunciou a recusa em depor as armas a norte do rio Litani.
Informado dos progressos realizados pelo comando do Exército, o Governo libanês "sublinhou a necessidade de este continuar a aplicar o plano (...) o mais rapidamente possível e de começar a elaborar um plano para a região a norte do Litani", disse o ministro da Informação, Paul Morcos.
Esse novo plano deverá ser apresentado ao executivo em fevereiro, indicou.
Na nota de imprensa, o Exército precisou que "controla agora" a parte a sul do rio Litani, "com exceção dos territórios e posições ainda ocupados por Israel", junto à fronteira.
Obrigado, nos termos do acordo de cessar-fogo, a retirar do território libanês, Israel continua a ocupar cinco pontos estratégicos próximo da fronteira e a realizar ataques aéreos regulares sobre o Líbano, visar combatentes e instalações do Hezbollah.
Os esforços empreendidos pelo Líbano para desarmar o Hezbollah "constituem um começo encorajador, mas estão longe de ser suficientes", declarou o gabinete do primeiro-ministro israelita.
Benjamin Netanyahu denunciou uma estratégia do movimento libanês "para se rearmar e reconstruir a sua infraestrutura terrorista com o apoio do Irão" e sublinhou que o acordo de cessar-fogo "estipula claramente que o Hezbollah deve ser totalmente desarmado", de acordo com um comunicado.
Por seu lado, o Presidente libanês, Josef Aoun, declarou que "a continuação da ocupação israelita de partes do território libanês", bem como os repetidos ataques israelitas estão "a dificultar" o cumprimento do plano do Exército.
Em comunicado, Aoun afirmou que o Estado libanês está determinado a manter "o monopólio das armas" e a "impedir que o território libanês seja utilizado como base para ações hostis".
Apelou também "à comunidade internacional, e em especial aos países irmãos e amigos, para ajudarem o Líbano a aplicar o acordo" de cessar-fogo, nomeadamente zelando por "impedir que as armas cheguem (...) a qualquer parte no Líbano que não seja o Exército".
O Irão, que arma e financia o Hezbollah, manifestou-se contra o desarmamento do grupo.
Beirute recebeu o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, que condenou as ameaças de Israel à região, num comunicado divulgado após a sua chegada.
"O principal objetivo da minha viagem ao Líbano é realizar consultas detalhadas com as autoridades do Governo libanês (...) relativamente a estes desafios e ameaças", indicou.
O Exército libanês precisou que as operações vão prosseguir a sul do rio Litani para "concluir a remoção de projéteis não-detonados" e procurar "túneis escavados" pelo Hezbollah.
Acrescentou ainda que vai tomar medidas para "impedir definitivamente que os grupos armados reconstruam as suas estruturas".
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