"Entrei nas urgências e encontrei dois chefes de equipa a chorar"

  • 09/01/2026

A enfermeira diretora demissionária da ULS Amadora-Sintra disse hoje que devido à falta de apoio da tutela ao Conselho de Administração do hospital Amadora-Sintra "é impossível" este "gerir o que quer que seja".

 

Em declarações à SIC Notícias, Luísa Ximenes referiu já ter criticado os conselhos de administração do hospital pela "incapacidade (...) de serem competentes", acrescentando: "Depois desta experiência que eu tive com a ausência total de apoio que eu senti por parte da ministra da Saúde, na realidade é impossível gerir o que quer que seja".

A responsável, que apresentou a sua demissão do cargo que tem assento no Conselho de Administração na quinta-feira, declarou ter ficado "estupefacta" ao ouvir o primeiro-ministro, Luís Montenegro, "dizer que o problema da saúde não se resolvia com demissões, defendendo a líder das demissões", referindo-se à ministra Ana Paula Martins.

Luísa Ximenes precisou que a ministra da Saúde "sujeitou [aquele hospital] a duas administrações" e que "agora vem uma terceira", questionando: "Então resolve-se com demissões ou não se resolve com demissões? É que é o segundo Conselho de Administração que está a ser demitido" no Hospital Amadora-Sintra.

Luísa Ximenes sublinhou as mudanças obrigam os profissionais, que são "excecionais", a adaptações constantes. "Não podem fazer mais", garantiu, lembrando a "total falta de gestão das escalas médicas".

A profissional destacou um episódio recente nas urgências: "Entrei na urgência há dois dias, antes da minha demissão, e encontrei dois chefes de equipa a chorar. Duas pessoas que conheço profundamente. Perguntei por que estavam a chorar. 'Senhora enfermeira, nós nunca vivemos assim', disseram-me".

"O motivo da minha admissão foi por ter sentido falta total de apoio e até alguma falta de reconhecimento pelo trabalho extraordinário que foi feito pelo Corpo dos Enfermeiros, que em meio ano abriram 80 camas no hospital, muitas delas de cuidados intensivos, abriram salas de bloco operatório, abriram o hospital de Sintra", disse.

Explicou ter sido uma decisão tomada "de um minuto para o outro" depois de ter ouvido "na televisão dizerem, e com razão, que os responsáveis pelo que estava a acontecer na urgência do hospital Fernando Fonseca eram os elementos do Conselho de Administração".

Sentia-se responsável, mas "mais nada podia fazer", depois de ter dado ordem à direção clínica para que fossem feitas "escalas como deve ser no serviço de urgência" e isto não ter acontecido.

Luísa Ximenes disse ainda à SIC Notícias pretender com a sua demissão "apressar para bem do hospital, a substituição" do presidente do Conselho de Administração, que se demitiu em novembro, para que "rapidamente possa haver um rumo, uma visão que inspire aqueles profissionais a acreditar num futuro melhor".

A Ordem dos Médicos defendeu na quinta-feira que a substituição da administração da ULS Amadora-Sintra devia ser prioridade em relação a outros hospitais sem situações críticas, alertando que a liderança da instituição está fragilizada, comprometendo os cuidados de saúde.

"A liderança fragilizada, desde a demissão [do presidente do Conselho de Administração, Carlos Sá, em novembro], compromete a organização hospitalar e a capacidade de contingência durante períodos críticos, como o pico da gripe e as temperaturas baixas", alertou o bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, em declarações à agência Lusa.

"O Conselho de Administração não tem condições para funcionar, já que os poucos membros restantes não dispõem da autoridade nem dos instrumentos necessários para gerir a unidade", reforçou, classificando a situação de "verdadeiramente emergente".

Devido à falta de médicos para assegurar as escalas no serviço de urgência geral, o hospital Amadora-Sintra tem enfrentado tempos de espera muito prolongados, chegando a atingir cerca de 20 horas para doentes urgentes.

[Notícia atualizada às 13h46]

Leia Também: Catarina Martins pede intervenção do PR para afastar ministra da Saúde

FONTE: https://www.noticiasaominuto.com/pais/2916478/falta-de-apoio-da-tutela-torna-impossivel-gerir-amadora-sintra#utm_source=rss-ultima-hora&utm_medium=rss&utm_campaign=rssfeed


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