Empresa contrata investigadores para seguir funcionária. Foi demitida
- 09/02/2026
Uma mulher italiana de 40 anos foi demitida por, alegadamente, usar uma licença de cuidadora, para ajudar a mãe deficiente, para se divertir e sair com o namorado.
O caso remonta ao verão de 2023, quando a funcionária requereu à empresa uma licença especial de cuidadora para ajudar a mãe, cuja saúde se tinha degradado consideravelmente devido a uma doença.
A idosa, para além de sofrer de demência, tem também uma deficiência grave e, por isso, voltou a morar com a filha. Com a licença, a mulher passou a ter direito a folgas em dias específicos para cuidar da mãe.
Contudo, a empresa começou a suspeitar da honestidade da sua funcionária e decidiu contratar investigadores privados para a seguirem durante essas folgas.
Segundo conta o Corriere de la Serra, os investigadores viram a mulher num resort de praia em três dias diferentes, durante algumas horas. Por vezes, ia sozinha, outras ia com o namorado. Os momentos foram fotografados e entregues à empresa, que não hesitou e abriu uma ação disciplinar contra a italiana.
A 13 de outubro desse mesmo ano, a mulher foi demitida por, alegadamente, abusar da licença que tinha sido concedida.
Inconformada com a decisão, a funcionária contratou um advogado para contestar o caso, considerando a situação injusta e excessiva, e deu início a uma disputa trabalhista.
Durante o julgamento, os juízes ouviram que, apesar de estes momentos na praia serem factuais, seriam apenas pausas. O resto do dia, era passado com a mãe em consultas médicas, em idas à farmácia ou às compras e, frequentemente, em passeios com a idosa em jardins ou nas redondezas da sua casa.
A família da mulher corroborou a dedicação da italiana a cuidar da mãe. "A minha irmã ajudava a minha mãe com todos os cuidados necessários", afirmou a irmã da funcionária. "Não temos cuidadora [profissional] porque a minha irmã e o meu irmão se revezavam" a cuidar da idosa, acrescentou.
Tendo tudo em conta, os juízos determinaram que os passeios na praia foram apenas momentos para "recuperar o fôlego". "O próprio relatório da agência de detetives afirma que, durante o período em que a filha estava na casa ou com a mãe, ela realizava atividades de assistência, que era diretamente visíveis do exterior da casa", acrescentaram na decisão final.
Os juízes determinaram, por isto, que a demissão tinha sido injusta e que a mulher deveria ser reintegrada com efeitos imediatos na empresa, com direito a uma indemnização equivalente a todos os salários perdidos até ao momento, cerca de 31 mil euros. Para além disso, a empresa terá ainda de pagar aproximadamente seis mil euros em custos judiciais.
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