Arruda trocava mensagens com mulher após furtar malas. "Queres ou não?"
- 09/01/2026
O ex-deputado Miguel Arruda, que foi acusado de 21 crimes de furto qualificado por ser suspeito de ter furtado várias malas no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, fotografava os ‘achados’ e trocava mensagens no WhatsApp com a mulher, a quem questionava se os vendia ou se ficavam para si. Apesar de assumir sentir "vergonha" e de se mostrar "nervosa" com a conduta do marido, Ana Arruda, que foi acusada de um crime de recetação, não resistia a apoderar-se dos artigos – muitos os quais de marca.
Chegado a Lisboa, o antigo parlamentar do Chega, que recorria aos tapetes de recolha de bagagem destinados aos voos vindos de fora do espaço Schengen e a malas com inconformidades, onde os proprietários não estão, habitualmente, à espera, para levar a cabo a atividade ilícita, dispunha todos os artigos em cima da cama e consultava a mulher.
"Queres para ti? Ou vendo?", perguntou, no dia 16 de outubro de 2024, referindo-se a uma carteira da marca Louis Vuitton, de acordo com a CNN Portugal.
"Onde arranjaste isso?", replicou Ana Arruda, que se encontrava em Ponta Delgada, nos Açores.
"Não interessa, heheheh. Queres ou não? É original", pressionou.
A mulher, que se mostrou preocupada, não resistiu: "Sabes que há câmaras nos aeroportos? Eu gosto e fico com esse, mas não se faz mais isso, please. Que medo de seres apanhado. Que vergonha."
No mesmo dia, marido e mulher retomaram a conversa, desta feita sobre uma carteira da marca Trussardi. "Fod…., só cenas caras, mais uma mala no aeroporto?", perguntou Ana Arruda.
"Não tens nada a ver com isso, heheheh. Ou queres ou meto à venda?", respondeu o ex-deputado.
Novamente, e apesar de reforçar a sua apreensão, Ana Arruda cedeu: "Por favor, que seja a última vez. Eu fico aflita. Eu quero, é bonita e é mesmo o meu género. […] Fico com as duas."
Mas nem sempre Miguel Arruda tinha sorte. "De roupas, desta vez não veio nada de jeito. Safou-se um perfume, [...] vamos ver se gostas", escreveu, em dezembro de 2024.
"A roupa era toda pequena?", questionou a mulher.
"Se não servir para vender, dás à Letícia [empregada doméstica do casal]", sugeriu.
Já a 14 de janeiro do ano passado, a poucos dias de ser detido, o então membro do partido de extrema-direita interpelou a esposa quanto a umas sapatilhas da marca Adidas, um par de sapatos de vela e umas botas de salto baixo. "Onde arranjaste?", interrogou Ana Arruda.
Miguel Arruda, que detalhou que os ténis eram do tamanho 40, replicou: "’Comprei’."
"Poh, mas é muita sorte mesmo. […] Eu fico é nervosa com essas tuas ‘compras’", confessou a mulher.
Recorde-se que, a 21 de janeiro daquele ano, o ex-deputado foi intercetado pela Polícia de Segurança Pública (PSP) e não conseguiu abandonar o aeroporto de TVDE, como de costume, até casa ou à Assembleia da República, locais onde armazenava a bagagem furtada.
Na maioria dos casos, o valor do conteúdo das malas não foi apurado. No entanto, duas delas continham roupa, calçado e bolsas de marcas de luxo avaliadas em quase 12 mil euros.
De acordo com a acusação do Ministério Público, alguns dos artigos terão sido oferecidos pelo então deputado à mulher, enquanto outros foram postos à venda na plataforma Vinted, inclusive com a morada do Parlamento. Aliás, a PSP encontrou seis malas de viagem e uma mochila aparentemente de desconhecidos no gabinete do ex-parlamentar, a 27 de janeiro.
Já nas residências do casal, em Ponta Delgada e em Lisboa, foram encontrados quase 30 artigos de desconhecidos, incluindo um computador portátil.
Dos 21 crimes de furto qualificado de que Miguel Arruda está acusado, 20 são na forma consumada e um na forma tentada.
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