António Filipe dá visibilidade aos problemas da área cultura
- 09/01/2026
"E a cultura é fundamental, é um setor com imensos problemas e esta audição dá visibilidade a esses problemas", afirmou o candidato presidencial apoiado pelo PCP e pelo PEV.
No Espaço Estefânia, no centro de Lisboa, António Filipe ouviu testemunhos trabalhadores da área da cultura e um ponto comum foi a precariedade por causa de uma vida de rendimentos incertos.
Mas também se falou sobre o subfinanciamento do setor e das organizações culturais, os duros horários de trabalho e até sobre as dificuldades e desafios da maternidade.
"É um setor com muita precariedade, muitas dificuldades para os seus profissionais e eu acho que deve ser dada visibilidade a isso e deve ser uma exigência nacional que haja um maior investimento público na área da cultura, que infelizmente não tem havido", defendeu.
António Filipe disse ser "muito solidário" com o movimento que há vários anos reivindica que 1% do orçamento de Estado devia ser dedicado à cultura".
"Quando nós ainda estamos muito longe disso. E uma das questões que foi aqui salientada é a dualidade de critérios, em que são negados os investimentos para a cultura, negado que haja 1% do orçamento de Estado para a cultura, e, entretanto, há quem reivindique 5% de Produto Interno Bruto (PIB), nem sequer é do orçamento de Estado, é muito mais do que isso, para o militarismo e para as armas", apontou.
António Filipe defendeu que a cultura não pode ficar ausente do debate das eleições presidenciais do dia 18 de janeiro e apontou este como um "setor extremamente importante e transcendente da nossa democracia".
Durante o seu discurso disse mesmo que a "cultura é a essência da própria democracia", descreveu este como "o reino da precariedade" e defendeu que esta área não pode ser entregue "ao mercado".
Exige-se, pelo contrário, que haja uma política de apoio às companhias, que "dê estabilidade e previsibilidades a estes profissionais".
"A Constituição consagra uma democracia política, económica, social e cultural e nós não podemos esquecer desta vertente cultural, que é fundamental para a dignidade do ser humano. É um princípio constitucional, logo considerado no artigo 1.º da Constituição", referiu ainda o ex-deputado comunista.
Antes do encontro com os trabalhadores e agentes culturais, António Filipe recebeu ainda o apoio do escritor e professor Rui Zink.
Os candidatos às presidenciais são Gouveia e Melo, Luís Marques Mendes (apoiado pelo PSD e CDS), António Filipe (apoiado pelo PCP), Catarina Martins (Bloco de Esquerda), António José Seguro (apoiado pelo PS), o pintor Humberto Correia, o sindicalista André Pestana, Jorge Pinto (apoia
do pelo Livre), Cotrim Figueiredo (apoiado pela Iniciativa Liberal), André Ventura (apoiado pelo Chega) e o músico Manuel João Vieira.
Esta é a 11.ª eleição, em democracia, desde 1976, para o Presidente da República.
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