Afinal, novas ambulâncias estão previstas desde 2023. PS exige desculpas
- 09/01/2026
Afinal, o investimento no INEM anunciado ontem pelo primeiro-ministro iniciou-se há dois anos, ainda no Governo de António Costa. O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, exigiu, esta sexta-feira, explicações do primeiro-ministro sobre o anúncio feito na quinta-feira em pleno debate quinzenal, mas admitiu que Luís Montenegro possa ter sido mal informado sobre o concurso público.
"Pode ter acontecido que os serviços lhe tenham prestado informações com falta de vigor; agora, se o primeiro-ministro teve o conhecimento de que efetivamente o concurso para as ambulâncias foi uma decisão do Conselho de Ministros de novembro de 2023 — e estamos já em janeiro de 2026 — e não teve a coragem de dizer ao Parlamento que não era uma decisão do seu Governo, então ele deve dar um pedido de desculpas", anunciou aos jornalistas nos corredores do Parlamento.
As declarações de José Luís Carneiro, que era, à data desse Conselho de Ministros, precisamente ministro da Administração Interna de António Costa, surgem após o jornal Público ter noticiado que o processo de compra dos novos veículos de emergência médica anunciado na quinta-feira já leva mais de dois anos e que as viaturas só deverão estar operacionais no verão.
"Ora, esqueceu-se de dizer ou omitiu, que esse concurso foi uma decisão de uma resolução do Conselho de Ministros de 2023, do dia 29 de novembro, uma resolução de um governo do Partido Socialista", disse hoje José Luís Carneiro.
"Depois, o atual Governo fez uma revisão a esta decisão no dia 29 de agosto de 2024. A pergunta que há a fazer é: porque é que só agora, ao fim de tanto tempo, se está a anunciar a ida para concurso das ambulâncias para a emergência médica", acrescentou.
O líder do PS defende também que o "Governo deve responder sobre quando é que essas ambulâncias estão disponíveis para servir as populações".
"Nos Estados Unidos dava um 'impeachment'"
José Luís Carneiro exigiu também uma "resposta" do primeiro-ministro quando à decisão de desviar técnicos de emergência médica das ambulâncias para os Centros de Orientação de Doentes Urgentes (CODU).
"Tive conhecimento de que houve uma decisão, tomada há muito pouco tempo, de desviar técnicos de emergência médica, que conduzem as ambulâncias, para os CODUs, o que significa que não há técnicos para conduzir as ambulâncias", acrescentou.
Na ótica do líder do PS, "o primeiro-ministro deve uma resposta para o país".
"Ele foi enganado por parte dos serviços? E se foi enganado, o que está a fazer ou o que vai fazer para assumir responsabilidades? Ou tinha conhecimento e decidiu omitir esta informação? E, se o fez, faltou à verdade ao Parlamento e isso é muito grave. Nos Estados Unidos dava um impeachment do Presidente, isto é inaceitável numa democracia qualificada", atirou.
O Governo aprovou na quarta-feira a aquisição de 275 novas viaturas para o INEM, num investimento de 16,8 milhões de euros, conforme anunciou o primeiro-ministro, que lamentou as mortes de pessoas que não obtiveram socorro atempado.
"São 63 ambulâncias, 34 VMER e 78 outros veículos, o maior investimento do género na última década", informou.
Luís Montenegro anunciou também que na sexta-feira o Conselho de Ministros vai "aprovar as resoluções para o lançamento do concurso para a construção do novo Hospital do Algarve, uma obra estrutural que se junta a outras como o Hospital de Todos os Santos em Lisboa".
O primeiro-ministro enquadrou "todos estes investimentos" numa "reforma profunda do INEM que está em curso" para que haja "uma mais rápida resposta do serviço de emergência médica".
[Notícia atualizada às 10h59]
















